mardi 14 août 2007

"O Vale das Bonecas"

pra minha alegria, "Valley of the Dolls", de Jacqueline Susann, voltou a ganhar destaque nas prateleiras das livrarias de Nova York. quase dei um grito quando o vi ao lado das novas edições sobre Marilyn Monroe, estrela que tem tudo a ver com o universo abordado no livro.

Jacqueline conhecia bem o mundo que passou para o romance. ela mesmo foi uma atriz que tentou o sucesso na Broadway nos anos 50. suas ambiciosas meninas, Anne Welles, Jennifer North e Neely O'Hara, se conhecem em Nova York e estão em busca do glamour e de uma vida confortável. no meio do caminho nada florido, elas se entopem de pílulas e bebida, mentem a idade, caçam admiradores que banquem seus pequenos luxos e fazem de tudo pra manter o frescor da beleza com métodos que nos fazem rir. na verdade, tudo é muito triste... a mastectomia que dilacerou Jacqueline é purgada no livro, na pele de Jennifer.

na época do seu lançamento, em 1966, as críticas foras as piores. Jacqueline foi retalhada pela conservadora imprensa americana e acusada de pornográfica e vulgar. num país em que Henry Miller e James Joyce foram processados por pornografia isso é o de menos, fora que "O Vale das Bonecas" vendeu feito coca-cola e foi transformado em filme um ano depois. as trágicas heroínas do romance foram vividas na tela por Barbara Parkins, Patty Duke e a ofuscante Sharon Tate.

a talentosa e auto-destrutiva personagem de Nelly, foi construída com elementos das atrizes Judy Garland, Betty Hutton e Frances Farmer. a amiga manipuladora de Anne, a estrela da Broadway Helen Lawson, foi moldada em Ethel Merman, conhecida como "Rainha da Broadway" e com quem Jacqueline teve um caso (ela era bissexual). Jennifer, minha personagem preferida, foi inspirada numa namorada da autora, a pin-up, cantora, dançarina e atriz Carole Landis. algumas preciosas gotas de Marilyn Monroe também foram derramadas. segundo Jacqueline, Tony Polar, o cantor de sucesso e marido limítrofe de Jennifer, teve Dean Martin como fonte. outros dizem que foi Frank Sinatra, digamos que é uma mistura dos 2.

alguns consideram o livro empoeirado, pra mim a escritora foi feliz em apresentar o início de toda a histeria estética que vivemos nos últimos tempos, além de retratar cruamente a sempre excitante e cruel indústria do entretenimento. "O Vale das Bonecas" é uma delícia de se ler!

antes de mudar pra Paris eu me desfiz do livro, em Nova York vou botá-lo novamente na estante, ao lado do telefone cor-de-rosa.

8 commentaires:

Graciele a dit…

Oh, que alegria!!!! Vou poder expor publicamente meu amor por O vale das bonecas. :D
Eu adoro todo esse universo que Jacqueline Susann retratou tão bem nesse romance. Além de se adiantar naquilo que vc, Mara, descreveu perfeitamente como histeria estética, acho que Jacquelinne foi muito feliz em retratar as protagonistas (que, a princípio, parecem ser aquelas típicas heroínas de romance, mas só a princípio) como mulheres que têm a profissão como o sustentáculo de suas vidas. Hoje em dia é natural, mas, na época do livro, as mulheres ainda não estavam tão inseridas no mercado de trabalho e acho assombroso que Susann retratou (em plena década de 60!) com cores fortes, a mulher atual.

mara a dit…

jacqueline susann teve a sorte de estar em nova york e trabalhar num métier em que a mulher já estava inserida, essa experiência lhe valeu este livro fantástico que a carola sociedade americana defenestrou. eu tb amo "o vale das bonecas", como eu pude me desfazer dele?!!! vou me chicotear e já volto!

Graciele a dit…

Mara, não liga não, eu tb me desfiz do meu! Sabe o que penso? Que esse livro era nosso guilty pleasure (por isso arranjamos um jeitinho de nos 'livrar' dele). Só agora é que nos libertamos para sair contando que gostamos SIM de Valley of the dolls! :D

ronas a dit…

Eu me sinto ouvindo uma conversa de banheiro encostando o ouvido na porta. E tô louco pra olhar pela fechadura.

mara a dit…

graci chérie, melhor esquecermos de confessar qualquer outro guilty pleasure, o ronaldo está atrás da porta :D:D:D:D:D:D:D

Graciele a dit…

hahahaha...Sim, sim, Mara, melhor pararmos, qualquer coisa vc me escreve, tá? ;)

Allan Barros a dit…
Ce commentaire a été supprimé par l'auteur.
Allan Barros a dit…

Conheci Jacqueline Sussan meio que por acaso. Há uns anos quando estava concluindo o ensino médio e solicitei a alguns professores indicações de livros. Ainda imaturo e pouco conhecedor do que a vida me esperava, recebi de uma professora um livro intitulado YARGO da escritora Jacqueline Sussan. Viciante, eletrizante e com muitas mensagens além da ficação, a qual o livro até então se propôs. Poderá passar despecebido do leitor que os fatos não são pontuais e fora da realidade da sociedade. Lembremos que há sempre uma crítica do momento que o mundo vivia. Yargo pode ser entendida como a antiga URSS. No livro não há qualquer menção ao país comunista ou ao conflito armamentista. Mas em trechos há o questionamento da escritora quanto ao país Yargo em que tudo funciona perfeito, de forma simétrica, igual, mega-desenvolvido, com um únido líder soberano responsável por todo o planeja Yargo. Janet, é a personagem principal[novamente aí um personagem que vive conflitos, que divaga sobre seu rumo e questiona a não possibilidade de se casar com um homem definido por sua mãe, está aí mais uma vez a proposta e defesa da liberdade das mulheres e as igualdades dos sexos] Em oposição a isto Janet que é abduzida por engano se depara com um planeta novo, Yargo é um planeta com todos os mais vistuosos atributos, vive uma estabilidade plena mas não há amor, paixão, o sexo delirante e as dificuldades que nos testam e nos fazemos seres humanos perfectíveis [tendência a perfeoção] Yargo trata todos seus habitantes iguais, não têm personalide, cor, diferenças. Será mesmo possível ao humano alcaçar a perfeição. É um livro muitttoooo fodaaaa! Pode ser extraído e levado para a filosofia!!! Janet e Yargo são opostos, ou será que não?! Vale a pena ler esse livro. Estou extasiado com essa escritora e estou acabando de ler O Vale das Bonecas. Já comprei "Máquina de Amor" e "Uma vez só é pouco".